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setembro 06, 2005

Um olhar sobre a prostituição

Para entender de forma integrada os problemas da prostituição, dos sem-abrigo e da toxicodependência, a candidata do CDS-PP à presidência da Câmara Municipal de Lisboa (CML) visitou ontém várias instituições de auxílio social na zona do Intendente.

O périplo teve início no Centro de Apoio Social dos Anjos, onde Maria José Nogueira Pinto reuniu com o psicólogo Rui Pinheiro. À candidata, o especialista explicou que, com cerca de 900 utentes, aquele Centro de Apoio não só disponibiliza refeições e uma cama a quem mais precisa, como igualmente efectua todo um trabalho de encaminhamento. “Claro que passam por uma triagem porque, infelizmente, não podemos receber todos”, disse ainda o psicólogo, garantindo que muitas vezes são confrontados com problemas de alcoolismo, mudanças comportamentais e psicoses.

“O problema destas pessoas é muito mais profundo do que um problema de carência económica”, lembrou Maria José Nogueira Pinto.
Seguindo para o Centro de Acolhimento e Orientação da Mulher das Irmãs Oblatas, a candidata democrata-cristã foi recebida pelos responsáveis por aquele centro, que explicaram o importante papel que realizam junto das mulheres prostituídas. Desde as intervenções efectuadas directamente nas ruas, ao acolhimento através do Gabinete de Apoio à Mulher e à integração pessoal e profissional, as Irmãs Oblatas insistiram que a questão das prostituição é relegada muitas vezes para segundo plano devido “aos preconceitos sociais que existem”.

“Não se justifica a falta de preocupação que existe com a questão da prostituição”, começou por dizer a candidata à autarquia lisboeta, acrescentando: “Há uma má consciência em relação a este tema, que é mais delicado e as pessoas tendem a fugir dele”.
Para Maria José Nogueira Pinto é importante apostar numa “acção social a realizar em rede”, onde a CML e a Misericórdia trabalhem em conjunto. “Não se pode encarar as questões da prostituição pontualmente”. “Implica uma política pública, não podendo ficar só pela boa vontade das pessoas”, disse ainda.
No caso da autarquia, Maria José Nogueira Pinto defendeu que pode haver uma contribuição com centros de acolhimento, apartamentos de saída, formação profissional, etc.
A manhã foi ainda preenchida com uma visita à instituição “O Ninho”, que conta com 38 anos de existência e que, à semelhança das Irmãs Oblatas, trabalha com mulheres prostituídas.

Foi tempo ainda de defender que “na nossa sociedade a ausência de legislação é morte civil. Acho que deveria de haver alguma atenção e avaliação por parte dos órgãos de soberania sobre esta questão”. “Seria positivo que a Assembleia da República organizasse uma audição para conhecer melhor este fenómeno”, acrescentou a candidata.

Publicado por CDSLX às setembro 6, 2005 01:44 PM